Stake Land (2010) ****

Posted in Pós-apocalipse, Vampiros, Viagem on 28/12/2011 by sergioasr

Em Stake Land, um garoto narra a sua fuga para o Canadá acompanhado pelo seu salvador misterioso em um mundo pós-apocalíptico e aterrorizado por vampiros. O filme segue a lógica do “menos explicação, mais terror” e, por isso, não deixa claro o que aconteceu com o mundo e nem de onde os vampiros vieram. O cenário desse road movie é marcado por violência, religião e curtas relações desenvolvidas pelos personagens para tentar recuperar algo de uma vida normal.

Dizem que tudo é uma questão de expectativas. E, em relação a isso, os primeiros minutos cumpre muito bem o seu objetivo de ir direto ao ponto e causar o impacto inicial. Não há prólogo. Somos jogados de cara no meio da estória. Porém, o que é rapidamente conquistado é colocado em risco quando um dos personagens principais é caracterizado como uma mistura de Steven Seagal e Richard Gere, deixando a impressão que o terror não será o único motivo para se desviar o olhar durante o filme. As cenas de treinamento, algo como um tai chi chuan com estaca, por exemplo, são altamente desnecessárias.

Mas as coisas não vão tão mal assim. O lado artes marciais bonachão é, ainda bem, minimizado na maior parto do tempo e dá espaço para boas atuações dos personagens em fuga. O teor das cenas de violência caminha bem no limiar entre o choque e o padrão comumente aceitável para o gênero. Não há exageros e nem banalização: as poucas cenas marcantes são o suficiente para manter toda a tensão até os últimos minutos. O cenário é realmente bem construído com elementos como cidades devastadas, florestas como refúgio, rednecks no comando, gangues lutando pelo que sobrou da civilização e os outros sobreviventes buscando por uma salvação distante… Ok, tirando os vampiros, é bem provável que The Road venha a sua cabeça. E, assim como este, embora não tão bem quanto, Stake Land consegue retratar uma relação interessante entre adulto e criança, protetor e vítima, ao longo de uma viagem que parece ser impossível de ser bem sucedida.

Como últimos destaques vale a pena citar, por razões distintas, a maquiagem e a trilha sonora. A primeira, por pouco, não coloca tudo a perder. Os vampiros têm uma importância grande no filme, apesar de menor do que o esperado. Sabendo disso, é realmente importante que eles sejam mais do que malucos de uma banda cover de Kiss com a cara coberta de sangue após uma noite de bebedeira. A última é uma prova de como, quando bem pensada, a trilha pode colocar em outro patamar um simples road movie sobre vampiros e o fim do mundo.

The House of the Devil (2009) ** 1/2

Posted in Demonio, Ritual on 18/12/2011 by sergioasr

Samantha é uma jovem universitária desesperada com suas contas. Tão desesperada que ela está disposta a aceitar um trabalho muito suspeito como babá. Por “suspeito” entenda-se cuidar de uma senhora de idade em uma casa antiga, no meio do nada, habitada por um casal de estrangeiros estranhos, em uma noite de eclipse.

Talvez pior do que um filme de terror ruim é um que poderia ter sido bom se não fosse por desleixo e preguiça. E você não pode ser preguiçoso quando tem em mãos uma história tão batida sobre uma babá, uma casal misterioso, uma casa no meio do nada, um ritual e o demônio. Como diretor e roteirista de The House of the Devil, Ti West tinha que dar um pouco mais de sangue.

The House of the Devil não entrega o que promete. A ação demora para acontecer, e quando acontece, praticamente não há nenhum aperitivo antes do prato principal. As oportunidades de suspense são desperdiçadas e as insinuações de terror são rapidamente dissipadas. E assim, sem vigor, o filme caminha a maior parte do tempo, contrastado com atuações acima da média de uma novata Jocelin Donahue e um experiente Tom Noonan. Aliás, os dois protagonistas são os responsáveis por o filme não morrer antes da hora. Portanto, a culpa é toda sua Tim West.

Ambientado e com diversas referências estéticas aos anos 80, o roteiro possui falhas clamorosas em relação aos papéis e como eles se encaixam na história. Quem era o segundo homem na casa? Como ele sabia que a amiga da protagonista estacionaria no cemitério para um cigarro? Por que o casal saiu da casa e retornou, se o cenário já estava pronto e eles estavam absolutamente no meio do nada? Não se deve sempre esperar histórias mirabolantes e, ao mesmo tempo, verossímeis: filmes do gênero têm a liberdade de deixar muito por explicar. Mas o limite entre um bom filme de terror e uma piada da Sessão da Tarde costuma ser definido por alguns cuidados básicos.

Offspring (2009) ***

Posted in Cinema, Crítica, Horror with tags , on 03/08/2010 by mariana

Vários filmes já foram feitos sobre canibais; alguns moram em fazendas, outros no meio de florestas… Em Offspring, uma tribo de canibais (incluindo crianças) habita cavernas provisoriamente ao redor de uma cidadezinha do Maine (EUA), e atacam residências próximas, comem seus proprietários e roubam bebês de colo. Sobre a aparência, se vestem de acordo com o velho estilo canibal de ser e não penteiam os cabelos.

Depois de um assassinato e esquartejamento brutal de um casal e do roubo de seu bebê, um xerife aposentado é convocado por seus ex-colegas para investigar o crime. Desconfiado dos canibais, a força policial inteira começa uma varredura nas matas locais. Enquanto isso, outro casal, recebe a visita de uma amiga recém-divorciada e de seus dois filhos, um garotinho de uns 7 anos e um neném de colo.

Assustados com um telefonema do violento ex-marido da amiga – dizendo estar à caminho da residência – são surpreendidos por uma visita ainda mais aterradora. Sem muita cerimônia, os selvagens invadem a casa, atacam os moradores e procuram o bebê. Muitos personagens sofrem mortes terríveis e muito sangue é apresentado na tela.

Offspring é a adaptação do romance homônimo de Jack Ketchum – sequência de seu debut Off Season (cuja produção está em desenvolvimento) – e o primeiro roteiro para cinema do autor. Este filme tem uma temática um pouco diferente das outras obras filmadas; já que canibalismo praticado por um clã selvagem não é coisa rotineira. Infelizmente, abuso contra crianças, delinquência e assassinatos e crimes praticados por vingança são.

Apesar de algumas boas cenas de horror e suspense, no final, a qualidade geral deixa muito a desejar. As cenas são confusas e a produção transpira baixo-orçamento por todos os poros. Por um lado até que essa característica amadora funciona: dá a essa situação de violência um ar naturalista de ameaça inesperada.

Doghouse (2009) ***1/2

Posted in Cinema, Crítica, Horror with tags , , on 31/07/2010 by mariana

Recém divorciado, Vince é compelido por seus amigos – que também passam por complicações em relacionamentos amorosos – a passar um fim de semana no interior de Londres a fim de afogar as mágoas. Ao chegarem, os rapazes são surpreendidos por um vilarejo morto e, ironicamente, por mulheres zumbificadas extremamente ameaçadoras.

Impossível não comparar Doghouse com ‘Shaun of the Dead’, já que ambos são filmes ingleses que misturam mortos-vivos e comédia de maneira ágil e divertida. Os heróis, infelizmente, não são nenhum Simon Pegg ou Nick Frost e o destaque fica por conta das mulheres-zumbis cheias de estilo e sede de sangue.

Doghouse, portanto, é a tentativa de superação de Vince e a luta dele e de seus amigos, pela sobrevivência. O filme é bem dirigido, os efeitos são caprichados e o roteiro não deixa de ser divertido apesar de ser baseado em uma piada só. ‘Shaun of the Dead’ continua no topo e há de permanecer lá por muito tempo.

iMurders (2008) 1/2

Posted in Cinema, Crítica, Horror with tags , , on 04/06/2010 by mariana

Está aí um filme ruim do início ao fim. Sem brincadeira! iMurders começa com uma abertura chatíssima de 6 minutos (!) e termina com uma música péssima, aparentemente cantada por um moleque de 16 anos drogado. O filme conta a estória de alguns colegas de FaceSpace (que criativo!), que são assinados, um a um, no conforto de seus respectivos lares. A mocinha – lá depois de 2/3 da película – desconfia que pode ser a próxima vítima do assassino misterioso. Algumas tramas envolvendo fatos do passado de alguns personagens são mostradas em flashback, para mais constrangimento, principalmente a cena da moça no psiquiatra.

Os diálogos são paupérrimos, as atuações são miseráveis, a escolha do elenco é uma vergonha. Tony Todd deve estar em situação financeira muito difícil para ter aceito participar deste filme; mas, graças a ele, o filme não recebe nota zero. Ele interpreta um policial, e a voz e a apresentação do grandalhão é (quase) sempre interessante. Até que é engraçado ver ele com a parceira policial, da metade do tamanho dele.

Voltando à mocinha, ela se muda para um novo apartamento no início do filme. Faz amizade com a síndica do prédio e fica se oferecendo meio-que-discretamente ao vizinho bonitão (?). Não entendi se ela participa do chat do FaceSpace porque acha que aquilo é um trabalho, uma diversão ou um vício. Os outros membros são tão sem graça quanto ela: um professor de meia-idade que se acha gostosão, uma atendente de sex-fone, uma mulher com uma cicatriz no rosto, um criador de efeitos-especiais e poucos outros mais insignificantes ainda, que já nem me lembro mais.

A tentativa de dar um clima “nem todos são o que aparentam ser” (de filmes noirs) para indivíduos bobos e fracassados do tal FaceSpace deixa o negócio ainda mais ridículo.

O uso da trilha incidental é tão mal-feito que lembra esquetes grosseiras quando tiram sarro de filmes de terror e suspense. As mortes e o desfecho final (onde se descobre quem é o assassino) são no “estilo Saw”, só que, aparentemente, o baixo orçamento não permitiu que contratassem um editor decente. Concluindo, parece ser um filme feito diretamente para a TV,  só que é muito pior. Fique longe!

Calvaire (2004) ***1/2

Posted in Uncategorized with tags , , , on 29/05/2010 by sergioasr

O filme (conhecido também como The Ordeal) dirigido pelo belga  Fabrice Du Welz conta o episódio angustiante pelo qual passa o cantor amador Marc Stevens ao buscar breve abrigo em uma pequena pousada no interior da Bélgica.

Com o furgão estragado no meio do nada, Marc, sem outra saída, pede ajuda a qualquer estranho que aparece. E estranhos são exatamente todos que aparecem. Tanto o dono da pousada na qual se hospeda quanto os moradores da vila vizinha querem transformar a estadia do visitante em um verdadeiro calvário.

Se o roteiro não guarda nenhuma boa surpresa, os personagens são muito bem construídos e caracterizados. Uma das melhores cenas traduz o choque do bizarro. Mais do que simplesmente bizarros e grotescos, os personagens convencem e perturbam, mesmo alguém que não é fã de histórias baseadas em tortura e sofrimento.

Cabin Fever : Spring Fever (2009) ***

Posted in Cinema, Crítica, Horror with tags on 28/05/2010 by mariana

A vilã de Cabin Fever é uma bactéria contagiosa que mata suas vítimas aos poucos, devorando a carne humana. Enquanto no primeiro filme, o tom era mais sombrio e a ação delimitada a uma cabana isolada, em Cabin Fever 2: Spring Fever a doença se espalha por uma cidadezinha próxima e o humor negro é substituído por comédia pastelão, onde o único atrativo são as imagens nojentas de pessoas “derretendo”.

Os personagens centrais são dois amigos estudantes do secundário e o alvo romântico de um deles. Cheios de expectativas em relação ao baile de formatura a ser realizado naquela mesma noite, não se dão conta de que uma infecção se espalha pelo colégio e pelas imediações. O único que associa alguns acontecimentos isolados é um policial da cidade; mas abobalhado e negligente, ele só serve como liga entre o primeiro filme, o início da nova epidemia e o ápice da desgraça que estraga a noite dos formandos.

Cabin Fever 2 é dirigido por Ti West, mas não possui elementos que deixaram os seus outros filmes pessoais e interessantes. Os efeitos especiais variam entre os bem feitos e os toscos sem noção, e ignoram completamente a existência do bom gosto: é um festival de nojeiras, algumas até chocantes. Influenciado pelo estilo do Evil Dead e Braindead, o filme não tem muita originalidade; é diversão passageira, que deve ser apreciada com o estômago vazio.